Você conhece a história de Carlos da Cruz Sampaio Júnior? Ele nunca foi militar, mas conseguiu se passar por oficial do Exército e conquistar espaço dentro da segurança pública do Rio de Janeiro. A farsa chegou ao ponto de ele participar do planejamento de ações, orientar policiais e comandar uma operação da PM.
Carlos sonhava com a carreira militar, mas não conseguiu ingressar no Exército. Depois de trabalhar em outras áreas, passou a estudar segurança pública por conta própria e desenvolveu um projeto de patrulhamento. A dificuldade era conseguir espaço para apresentar suas ideias dentro das instituições. Foi então que passou a se apresentar como oficial do Exército.
A farsa durou cerca de um ano. Em 2009, Carlos apareceu no 6º BPM, na Tijuca, dizendo ser major. Cerca de três meses depois, passou a se identificar como tenente-coronel. A patente abriu portas. Ele frequentou batalhões, participou de reuniões e chegou a ministrar treinamentos para policiais.
A história foi ainda mais longe. Em 2010, Carlos conseguiu atuar na área de planejamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Em uma operação na Ilha do Governador, recebeu um fuzil M16 da própria Polícia Militar e se apresentou como comandante da ação.
A mentira terminou em outubro daquele ano, quando ele foi preso. As investigações revelaram que Carlos nunca havia sido oficial do Exército e utilizava documentação fraudulenta.
O caso também provocou uma investigação dentro da Polícia Militar. Sete oficiais superiores que abriram as portas de suas unidades para o falso tenente-coronel foram alvo de sindicâncias. Após seis meses de apuração, porém, a PM considerou as transgressões leves e aplicou apenas repreensões. A investigação administrativa não atingiu a cúpula da segurança pública.
Mais do que a história de um homem que inventou uma carreira militar, o episódio expôs uma falha difícil de explicar: durante cerca de um ano, um civil conseguiu se apresentar como oficial, circular entre policiais e participar de atividades de segurança pública sem que a fraude fosse descoberta.




