O Brasil voltou a escancarar uma ferida antiga. Dados do Atlas da Violência 2026, divulgados nesta terça-feira (26), mostram que pessoas negras continuam sendo as principais vítimas de homicídio no país.
Somente em 2024, foram 32.820 assassinatos de pessoas negras. O número representa 77% de todas as mortes violentas registradas no período. Na prática, isso significa quase 90 vítimas por dia ou uma vida perdida a cada 16 minutos. O levantamento aponta ainda que uma pessoa negra tem hoje 2,7 vezes mais chances de ser assassinada do que uma pessoa branca no Brasil.
Os estados do Norte e Nordeste seguem concentrando os índices mais altos de violência letal. O Amapá lidera o ranking nacional, seguido por Alagoas, Pernambuco e Bahia. Já São Paulo e Santa Catarina aparecem entre os menores índices do país.
O estudo também revela outro dado alarmante: em onze anos, mais de 435 mil pessoas negras foram assassinadas no país. Apesar de uma redução geral nos homicídios ao longo da última década, a queda aconteceu em velocidades diferentes. Entre pessoas não negras, os assassinatos caíram quase 39%. Já entre negros, a redução foi bem menor, cerca de 21%.
O Atlas também chama atenção para a violência letal contra mulheres e idosos negros. Entre mulheres negras, a taxa de homicídio é 66,7% maior do que entre mulheres não negras. No caso das mulheres idosas negras, o índice é 1,3 vez superior.
Já entre os homens, a desigualdade também aparece de forma forte. Homens negros apresentam taxa de vitimização letal 1,7 vez maior do que homens não negros da mesma faixa etária.
O Atlas ainda acende alerta para a violência contra a população LGBTI+. Mais de 15,8 mil notificações foram registradas em 2024, incluindo casos envolvendo homossexuais, bissexuais, travestis e pessoas trans.
Segundo o levantamento, os números podem indicar tanto um aumento das denúncias quanto uma intensificação da violência.





