Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) está transformando a pele da tilápia, muitas vezes descartada pela indústria, em um curativo biológico para o tratamento de queimaduras e feridas.
A pesquisa brasileira começou há cerca de uma década e avançou ao demonstrar características importantes da pele do peixe, como a presença de colágeno tipo I, resistência e capacidade de manter a umidade necessária durante o tratamento. O material passa por um rigoroso processo de limpeza, esterilização e preparação antes de poder ser utilizado como biomaterial.
Nos tratamentos estudados, uma das vantagens é que a pele processada pode permanecer sobre a região lesionada, diminuindo a necessidade de sucessivas trocas de curativos. A técnica também vem sendo estudada por seu potencial para reduzir a dor e o uso de materiais tradicionais durante a recuperação de pacientes.
Agora, a inovação caminha para uma nova etapa. A UFC licenciou a tecnologia para viabilizar sua produção em escala industrial, com projeto para implantação de uma fábrica dedicada à fabricação dos curativos.
A expectativa divulgada é iniciar a produção com capacidade para processar cerca de 1 milhão de peles no primeiro ano, podendo chegar a 30 milhões em três anos. O investimento inicialmente anunciado para a implantação e operacionalização da unidade é de aproximadamente R$ 48 milhões.
Antes de chegar ao mercado e ser utilizado comercialmente em larga escala, porém, o produto ainda precisa cumprir etapas regulatórias e sanitárias, incluindo as autorizações necessárias.
Além do potencial médico, a tecnologia agrega valor a um material que normalmente seria descartado pela cadeia produtiva do pescado. Uma inovação desenvolvida dentro de uma universidade pública brasileira que aproxima ciência, saúde e aproveitamento sustentável de recursos.







