Um recente passeio de barco pelo histórico Canal Campos-Macaé, que reuniu o pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes, a ex-prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco, o prefeito de Quissamã, Marcelo Batista e o pré-candidato a senador pelo Rio, Pedro Paulo, acabou trazendo à tona uma realidade desconfortável que o palanque oficial tentou mascarar.
Enquanto a ex-prefeita e o pré-candidato a governador posavam sorridentes na proa da embarcação, cabia ao atual prefeito a figuração nos fundos do barco, uma cena que escancara quem realmente detém as rédeas do poder na cidade. Contudo, muito além do arranjo de vaidades e da disputa sobre quem manda e quem obedece, o verdadeiro escândalo flutuava nas águas: o descaso ambiental.
O cenário de propaganda política tomou outro rumo após uma denúncia publicada nas redes sociais. Em um vídeo, a vereadora de Quissamã, Alexandra Moreira, expôs os bastidores da viagem e apresentou documentos oficiais que desmentem o discurso governista. Enquanto as lideranças a bordo falavam com entusiasmo sobre o potencial turístico do canal histórico e sua ligação com as lagoas, a parlamentar provou que a gestão esqueceu de combinar a narrativa com a realidade dos fatos e com os órgãos de fiscalização.
Exibindo os papéis e cobrando melhorias no sistema de esgotamento desde o seu primeiro mandato, a vereadora destacou o histórico de incompetência administrativa do município, que chegou a perder mais de R$ 8 milhões em verbas federais para a ampliação do saneamento. A prefeitura finalmente contratou a obra em 2021 com recursos próprios, mas a conclusão dos trabalhos já acumula um atraso vergonhoso de mais de cinco anos. No vídeo, Alexandra Moreira apresentou o laudo técnico do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), fruto de uma inspeção realizada em março deste ano e com resultados publicados este mês, junho, que confirmam o cenário de calamidade que ela já vinha alertando.
Os documentos oficiais exibidos pela parlamentar revelam um diagnóstico alarmante: a estação que deveria tratar os resíduos está sucateada e operando no completo improviso, funcionando à base de remendos para sustentar uma falsa aparência de normalidade. O resultado é a poluição despejada diretamente nas águas, colocando em risco crítico o complexo de lagoas da região. Como pontuou a vereadora em sua denúncia, o esgoto não desaparece com poses para fotos ou discursos bonitos. Se a estação existe para tratar e o que volta para o canal é pura poluição, a falha do governo é evidente. Por operar totalmente fora das normas legais, o município de Quissamã foi autuado pelo INEA e a multa por esse crime ambiental pode chegar a R$ 2 milhões. Ao final de sua manifestação nas redes, Alexandra Moreira questionou quem daquela comitiva estará na linha de frente para assumir a responsabilidade quando o processo e a conta milionária chegarem. Enquanto a gestão cobra o preço de sua própria incompetência, quem acaba pagando primeiro e lidando com o problema é a população de Quissamã.







