Áudios inéditos obtidos pela Polícia Federal revelam que o deputado estadual Thiago Rangel utilizava sua influência política para dar ordens diretas na Secretaria Estadual de Educação e negociar cargos públicos com o traficante Arídio Machado, conhecido como “Junior do Beco”, apontado por investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Campos dos Goytacazes.
As mensagens, extraídas de celulares apreendidos durante os desdobramentos da Operação Unha e Carne, expõem um suposto esquema criminoso baseado em fraudes em obras de escolas estaduais, especialmente no Norte e Noroeste Fluminense, loteamento de cargos e conexões diretas entre o parlamentar e o crime organizado.
A investigação aponta que a quadrilha operava de forma estruturada, injetando cerca de R$ 2,9 milhões em campanhas eleitorais de aliados por meio de canais não oficiais. Ainda de acordo com a investigação, empresas ligadas ao parlamentar, muitas registradas em nome de terceiros nos setores de construção civil e prestação de serviços eram utilizadas para irrigar o esquema de desvio de verbas públicas. Além disso, o mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal destaca o uso de métodos violentos e intimidação contra opositores políticos na região.
O caso provocou forte repercussão com a revelação da evolução patrimonial do deputado, cujo patrimônio declarado saltou mais de 700% em apenas dois anos, incluindo a aquisição de 18 postos de combustíveis. Rangel, que teve sua prisão preventiva mantida por unanimidade pelo STF sem necessidade de aval da Alerj, nega as irregularidades. Os desdobramentos da operação já resultaram na apreensão de bens de luxo e na exoneração de sua filha de um cargo no governo estadual, enquanto a Polícia Federal aprofunda o debate público sobre a infiltração de organizações criminosas na estrutura do Estado do Rio de Janeiro.





