A saúde de Casimiro de Abreu padece de um mal duplo: de um lado, unidades com infraestrutura degradada, mofo e infiltrações. Do outro, unidades com vazio de profissionais. As denúncias revelam um apagão de gestão onde nem médicos, nem enfermeiros, nem coordenadores são encontrados em seus postos no momento da necessidade do cidadão.
Na última semana, a vereadora Rosy Mangifesta expôs em suas redes sociais a agonia da saúde em Casimiro. Durante algumas visitas fiscalizatórias, a parlamentar trouxe à tona um cenário preocupante que varia entre o abandono estrutural e a ausência crítica de profissionais em postos estratégicos.
O caso mais grave foi registrado no ESF Odino Miranda. Após denúncias de moradores, a parlamentar esteve na unidade e constatou que nenhum dos dois médicos escalados estava presente. A ausência se estendeu à enfermeira responsável pela unidade.
A justificativa apresentada à vereadora pela Subsecretária de Saúde, Maria Aparecida Otz, após cobrança direta na sede da pasta, beirou a imprecisão. Enquanto a enfermeira estaria em um treinamento de sistema, não houve explicação concreta para a falta dos médicos. Um deles deveria ter retornado de férias justamente no dia da fiscalização, mas alegou problemas de saúde. No momento da crise, a coordenadora dos ESFs, Glória Maria Magalhães, também não estava no município, cumprindo agenda em Búzios.
“Entendo que a capacitação é necessária, para entregar o melhor aos nossos munícipes. Mas nós precisamos ter responsabilidade com a saúde. Não tem médico, não tem enfermeira chefe, como vai ficar essa situação? Já não é a primeira vez que vou à essa unidade e não tem médico atendendo, por questões de saúde. Quando venho a essa tribuna cobrar é porque já averiguei várias vezes. Isso não pode se tornar rotina”, destacou a vereadora durante a sessão legislativa realizada no último dia 5.
Se no Odino Miranda faltavam pessoas, no ESF Oswaldo Ramos o problema é com a infraestrutura. Rosy Mangifesta encontrou uma unidade castigada pelo tempo: paredes tomadas por mofo, infiltrações severas e uma necessidade latente de reforma e pintura.
A fiscalização também mirou o futuro da assistência. Questionada pela parlamentar sobre o processo seletivo para agentes comunitários de saúde e de endemias, a Secretaria de Saúde confirmou que o edital sofreu entraves. Segundo a subsecretária, o Ministério solicitou retificações por divergências no texto original. O processo encontra-se atualmente na Procuradoria para ajustes, sem uma data definitiva para o novo lançamento.
Para Rosy Mangifesta, o cenário atual exige mais do que desculpas administrativas. “Se a saúde do município está doente e até quem deveria cuidar dela enfrenta dificuldades ou não comparece, a população vai ficar aguardando? A fiscalização serve para mostrar que há alguém cobrando esse respeito”, afirmou.
A vereadora garantiu que os relatórios das visitas serão encaminhados aos órgãos competentes para que as medidas cabíveis sejam tomadas, garantindo que o direito constitucional à saúde não seja apenas uma promessa no papel em Casimiro de Abreu.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura Municipal de Casimiro de Abreu informou que a Unidade de Saúde da Família Odino Miranda, em Casimiro, conta com duas equipes compostas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde e que os atendimentos seguem normalmente. Ainda de acordo com a Prefeitura, estão sendo realizadas uma série de melhorias nas estruturas dos Postos de Saúde de todo o município. Recentemente foi finalizada a reforma na USF do distrito de Rio Dourado, ainda essa semana será entregue a unidade de Palmital e o Oswaldo Ramos é uma das próximas a receber as melhorias da equipe de manutenção da Secretaria de Saúde.





