Ela passou por salas de aula, movimentos sociais, sindicatos, pastorais, Câmara Municipal e projetos ligados à educação e à igualdade racial. Em cada espaço, deixou uma marca. A trajetória de Ivânia Ribeiro Silva atravessa gerações e se confunde com parte da história política, educacional e cultural de Macaé.
Macaense, nascida em 10 de novembro de 1956, estudou no Colégio Estadual Luiz Reid e se formou em Letras pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Macaé. Depois, se especializou em Língua Portuguesa Contemporânea e concluiu mestrado em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Ao longo da vida, construiu uma trajetória marcada pela educação e pelo envolvimento com causas sociais.
Na política, foi vereadora de Macaé entre 1993 e 1996 pelo Partido dos Trabalhadores. Destacou-se pela quantidade de propostas apresentadas e pela defesa de pautas ligadas à educação, cidadania e direitos sociais. Em 1998, recebeu a Medalha Tiradentes, uma das maiores honrarias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Em março de 2024, escreveu um capítulo histórico: tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da Sociedade Musical Beneficente Lyra dos Conspiradores em 141 anos de existência da instituição.
Fundada em 1882 e ligada à cultura afro-brasileira e à resistência negra, a Lyra sempre teve homens no comando. A eleição de Ivânia aconteceu por unanimidade. No auditório decorado com retratos dos antigos presidentes da banda centenária, todos homens, uma mulher ocupava pela primeira vez o cargo mais alto da associação.
São tantos feitos que nem os 2.200 caracteres de uma legenda do Instagram dariam conta de resumir quem é Ivânia Ribeiro Silva. Sua história não cabe em um cargo, um diploma ou uma homenagem. Está espalhada pelas salas de aula, pelas lutas sociais, pelas instituições que ajudou a transformar e pelas pessoas que inspirou, e ainda inspira, ao longo de décadas.
A primeira mulher a presidir a Lyra dos Conspiradores não chegou ali por acaso. Chegou porque passou a vida inteira abrindo portas para que outras também pudessem entrar.





