Após o encalhe do navio Skandi Amazonas na região da Ilha de Santana, em Macaé, uma enxurrada de dúvidas tomou conta das redes sociais: por que não havia um prático a bordo? Por que as pedras submersas não tinham sinalização visível? E por que o barco continua encalhado dias depois do acidente?
O RJI buscou informações junto à Marinha do Brasil e também consultou as Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos de Macaé (NPCP-M) para entender melhor como funciona a navegação na região e por que a remoção da embarcação é considerada tão delicada.
Segundo as normas da Capitania, Macaé faz parte da Zona de Praticagem 15 (ZP-15). Contudo, o Porto de Imbetiba possui características operacionais específicas e, na configuração atual, não trabalha, em regra, com praticagem obrigatória como acontece em alguns grandes portos do país porque possui restrições próprias relacionadas ao porte das embarcações, calado e condições operacionais de acesso, o que torna a navegação mais controlada dentro da área portuária.
Outra dúvida levantada por moradores foi sobre as pedras submersas da região. Ainda de acordo com informações da Marinha, as formações rochosas já são oficialmente mapeadas e constam nas cartas náuticas utilizadas pelas embarcações. Elas funcionam como mapas técnicos do fundo do mar e indicam profundidade, lajes submersas, bancos de areia e outros obstáculos que podem representar risco à navegação. Essa sinalização acontece de forma técnica, através das próprias cartas náuticas e dos sistemas eletrônicos de navegação usados pelos comandantes durante o planejamento da rota.
Mas a pergunta que mais apareceu foi sobre a retirada do navio. Especialistas explicam que qualquer tentativa de remoção precisa levar em conta fatores como maré, força das ondas, estabilidade da unidade marítima, risco estrutural e possibilidade de vazamento de combustível ou óleo no mar. Além disso, o Skandi Amazonas ficou parcialmente apoiado em uma área rasa e próxima das pedras, o que aumenta o risco de novos danos durante uma eventual movimentação.
Por isso, antes de qualquer tentativa de retirada, empresas especializadas precisam realizar análises técnicas detalhadas para evitar impactos ambientais ainda maiores ou colocar trabalhadores em risco.
Por Joyce Pinheiro
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