Tem gente que vende doce. Tem gente que vende lembrança. E tem o Seu Didi, que há décadas distribui um pouco dos dois pelas ruas e praias de Macaé.
Conhecido por várias gerações de estudantes, o Geladinho do Didi virou mais do que um simples sacolé. Virou memória afetiva. Patrimônio emocional. Uma figura que atravessa o tempo e segue presente no coração da cidade.
Quem estudou no Instituto Nossa Senhora da Glória, o tradicional Castelo, nos anos 1990, provavelmente conhece bem a cena: a sirene tocava anunciando o fim das aulas e, logo no portão de saída, lá estava ele. Sempre sorrindo. Sempre paciente. Cercado por alunos ansiosos pelo geladinho que refrescava o calor e marcava o encerramento de mais um dia de aula.
Enquanto a criançada corria para escolher o sabor favorito, o zelador Sirley, que trabalha no colégio até hoje, tentava organizar a movimentação e a euforia dos estudantes. Era aquela bagunça clássica de saída de escola. Daquelas que atravessaram gerações e ficaram guardadas na memória afetiva de muitos.
E quem disse que Seu Didi aparecia só no Castelo? No verão, ele também virava personagem tradicional das praias dos Cavaleiros e Pecado. Debaixo do sol forte, caminhando pela areia com sua bolsa carregada de geladinhos, ele fazia parte do cenário quase como o mar, a areia e o mate gelado. E talvez seja exatamente isso que transforme alguém em patrimônio vivo: a permanência.
Anos passaram. Crianças cresceram. Muitos daqueles alunos hoje são pais, mães, profissionais, comerciantes, jornalistas, engenheiros e professores. Mas basta ouvir o nome “Geladinho do Didi” para a memória voltar quase instantaneamente.
Porque até hoje o que o Seu Didi vende nunca foi só sacolé. Ele vende encontros depois da aula. Conversas rápidas no portão. Risadas entre amigos. Pequenos momentos simples que, sem ninguém perceber, viraram parte da identidade afetiva macaense.
Em tempos em que tudo muda rápido demais, Seu Didi segue fazendo parte da história de Macaé. Com simpatia, simplicidade e aquele sorriso conhecido por gerações inteiras. É memória congelada em forma de geladinho.





