O físico e professor Marcelo de Oliveira Souza, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes, desenvolveu uma nova rota de ida e volta para Marte que pode mudar o ritmo das missões espaciais.
Hoje, uma viagem até o planeta vermelho pode levar até três anos. Pelo caminho proposto por ele, esse tempo cairia para cerca de sete meses. Não é detalhe. É mudança de escala. O estudo usa inteligência artificial para analisar dados orbitais de asteroides e identificar trajetórias mais diretas. Na prática, são caminhos mais eficientes, que reduzem tempo, custo e exposição no espaço. Mas essa história não começou agora.
Lá atrás, ainda na graduação em Física pela UFF, Marcelo teve acesso a um telescópio pela primeira vez. Foi ali que o interesse virou direção. Em 1994, iniciou a carreira como professor na UENF. Dois anos depois, participou da fundação do Clube de Astronomia Louis Cruls, em Campos.
Em 2026, o clube completa 30 anos. E não é pouca coisa. O grupo representa no estado do Rio iniciativas internacionais como Astrônomos sem Fronteiras e o Charlie Bates Solar Astronomy Project. Também é responsável pelo DarkSky Rio de Janeiro, único núcleo oficial da DarkSky no Brasil. E o reconhecimento veio.
Marcelo foi o primeiro brasileiro a receber um prêmio da Dark Sky International por ações na preservação do céu noturno. Entre os destaques está a transformação do Parque Estadual do Desengano no primeiro Dark Sky Park da América Latina, certificado internacionalmente.
E tem um detalhe que diz muito sobre o alcance desse trabalho. Foi ele quem trouxe ao Brasil, pela primeira vez, o astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua. A palestra aconteceu justamente em Campos, por meio do Clube de Astronomia.
Filho de um químico e de uma professora, Marcelo cresceu cercado pela ciência. A decisão de seguir na Física veio inspirada por Einstein. Décadas depois, essa escolha ajuda a redesenhar caminhos fora da Terra. A proposta já ganhou destaque nacional e aponta uma possível aplicação em 2031, quando uma janela espacial pode favorecer esse tipo de trajeto.







