Você sabe onde descartar o óleo que você usa na cozinha? E a lâmpada queimada, o pneu velho, o celular quebrado na gaveta? Se a resposta for lixo comum, temos um problema. Porque nada disso é lixo comum e quando é descartado de forma errada, volta para a cidade em forma de esgoto entupido, mosquito, contaminação do solo, risco à saúde e mais gasto público.
Desde 2010, o Brasil tem regras claras com a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei determina responsabilidade compartilhada. Fabricantes, comerciantes, poder público e consumidores têm dever no ciclo de vida dos produtos.
Em Macaé, existem programas municipais ativos para garantir a destinação correta de resíduos especiais. E os números mostram que, quando a população participa, funciona. Agora vamos aos fatos.
💡 Lâmpadas fluorescentes: lâmpadas fluorescentes contêm substâncias tóxicas, como mercúrio. No lixo comum, podem contaminar solo e água.
A logística reversa nacional é organizada pela Reciclus. A orientação é entregar as lâmpadas usadas nos pontos de coleta indicados pela entidade. No estado do Rio, a Lei Estadual nº 5.131 obriga estabelecimentos que comercializam lâmpadas a oferecer coletores para descarte. Se a loja vende lâmpada, ela precisa oferecer local para devolução.
🛢 Óleo de cozinha usado: se jogado na pia contamina rios, mares e lagoas. Entope redes de esgoto e aumenta custos de manutenção. Em parceria com o Programa de Reaproveitamento de Óleos Vegetais do Estado do Rio de Janeiro (PROVE), os moradores podem levar seu óleo vegetal usado em garrafa PET em pontos de entrega voluntária. O material é reciclado e transformado em sabão, detergente e biodiesel. Desde o início do programa, o município já destinou corretamente 434.452 litros de óleo vegetal.
Pontos de entrega incluem Cidade Universitária, sede da Secretaria de Ambiente na Praia Campista, Associação de Moradores do Parque Aeroporto, Macaé Facilita no Córrego do Ouro e base no Sana.
Além dos locais acima, o Colégio Municipal Ancyra Gonçalves Pimentel tem um projeto bem legal chamado Produzindo Autonomia. O óleo arrecadado na escola é transformado em sabão e outros produtos pelos estudantes e também eventualmente repassado para reciclagem em biodiesel ou outros processos quando excedente.
🔌 Resíduos eletroeletrônicos: pilhas, baterias, celulares, computadores e fios não devem ir para o lixo comum. Além de metais pesados que contaminam o ambiente, esses equipamentos possuem materiais valiosos que podem retornar ao ciclo produtivo.
A logística reversa é coordenada por entidades como a Green Eletron, que já instalou 17 pontos de coleta em Macaé. O município também mantém pontos próprios na Praia Campista, Cidade Universitária e Parque Aeroporto.
Desde o início do programa municipal, 20.415 quilos de eletroeletrônicos já foram destinados corretamente. Empresas têm responsabilidade legal própria e devem contratar gerenciamento adequado.
🛞 Pneus inservíveis: pneu abandonado acumula água. Água parada vira criadouro do Aedes aegypti. E o risco vira dengue, zika e chikungunya.
Em parceria com a Reciclanip, a cidade mantém o programa Papa Pneus, que recolhe material semanalmente em cerca de 70 borracharias e também atende solicitações da população. Resultado: 5.399 toneladas de pneus já foram destinadas corretamente no município.
Parte do material é usada em coprocessamento, artefatos de borracha e asfalto borracha, que tem maior durabilidade e menor ruído.
A pergunta final é direta: se existem programas, pontos de coleta e respaldo legal, por que ainda vemos descarte irregular?
Por Joyce Pinheiro



