Bordado, madeira e mecanismos manuais entrelaçados para destacar os povos originários no Brasil através da exposição “AUTOMATA”, que estreia nesta quinta-feira (5), às 19h, na Santa Paciência Casa Criativa, em Campos dos Goytacazes. Idealizada pelos artistas Aline Bagre e Anthony Brito, a mostra, que fica em cartaz até 28 de fevereiro, reflete sobre ancestralidade, memória e a permanência viva da cultura indígena no país.
Para Aline, o projeto foi criado a partir da necessidade de acesso ao legado ancestral. “Misturamos bordado e madeira com engrenagens para que o trabalho ganhe vida como um filme. A ideia é mexer na lembrança, fazendo com que imagens que pareciam paradas no tempo voltem a se movimentar com a ajuda do público”, ressalta ela, que desenvolve pesquisa ligada a identidade da própria família e à ancestralidade da bisavó, conectando histórias pessoais a um processo histórico mais amplo de apagamento dos povos originários.
Neste sentido, “AUTOMATA” se afirma como um gesto de ressurgência. “É importante porque nos faz lembrar que o jeito de ver o mundo das comunidades indígenas é um conhecimento que continua valendo muito nos dias de hoje. É sobre entender de onde viemos para saber quem somos agora”, frisa a artista.
A exposição é composta por 30 obras, divididas em duas séries. A primeira reúne bordados livres que apresentam imagens metafóricas ligadas às memórias familiares de Aline e à ancestralidade Goytacá. Já a segunda série é fruto da colaboração com Anthony Brito, responsável pela criação dos mecanismos que dão movimento às obras. Ao acionar manivelas e ferramentas, o público revela pequenas narrativas visuais que se desdobram no tempo.
“As obras não estão todas visíveis. Cada pessoa precisa manipular a peça para ir descobrindo as micro-histórias. Cada engrenagem vai levando o público para dentro da mata”, explica o artista sobre a mostra, aberta a visitação de terça a sábado, de 15h às 21h.
Na noite de abertura da exposição, às 19h, haverá participação Remu Goitacá e Amanda Mara Goytaká, representantes do coletivo Retomada Goytaká, que constrói um movimento de retomada ancestral dos diversos povos que habitam e habitaram o território de Campos dos Goytacazes e a região Norte/Noroeste Fluminense.
O projeto é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.
Por Alex Maia



