O Pontal de Atafona, na foz do Rio Paraíba do Sul, voltou a ganhar destaque após novas iniciativas para tentar conter o avanço do mar, fenômeno que há décadas transforma a paisagem e afeta diretamente a vida de moradores e veranistas. A cada verão, o cenário muda de forma tão intensa que locais conhecidos simplesmente deixam de existir no ano seguinte.
O que já foi uma ilha se tornou península. Quarteirões inteiros desapareceram sob a força das ondas. Bares, casas de veraneio, ruas e até um edifício inteiro ruíram diante das câmeras, simbolizando a vulnerabilidade extrema da região. Estima-se que mais de 400 imóveis tenham sido engolidos pelo oceano, redesenhando o mapa do balneário e obrigando famílias a recomeçarem suas vidas em outras áreas do município.
Ciências e hipóteses se misturam nessa história que já ganhou repercussão mundial. Pesquisadores apontam causas como o avanço natural do mar agravado pelas mudanças climáticas, além da redução do volume do Rio Paraíba do Sul após intervenções em afluentes que diminuíram sua força diante do oceano.
Na última semana, um novo passo foi dado. O senador Carlos Portinho destinou R$ 500 mil à Universidade Federal Fluminense para iniciar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, etapa inicial para um projeto que busca conter a erosão. A emenda foi solicitada pelo ex-governador Anthony Garotinho, e parlamentares como Marcello Crivella e Caio Vianna também se comprometeram a destinar recursos.
Atafona, referência mundial na discussão sobre erosão costeira e aquecimento global, recebe há anos equipes internacionais de TV e pesquisadores que se debruçam sobre o fenômeno. A ONG SOS Atafona, formada por moradores e veranistas, segue atuando na defesa da sobrevivência do balneário e pressionando por soluções permanentes.
Mesmo diante das transformações e incertezas, a região mantém uma beleza única. O encontro do rio com o mar, o mangue e o silêncio da orla criam um cenário que impressiona visitantes. A esperança é que esse encanto continue prevalecendo: com vida, preservação e segurança para quem ama e resiste naquele pedaço singular da natureza.



