Na tarde desta quinta feira, o Palacete de Mandiquera, um dos símbolos históricos mais importantes de Quissamã, sofreu um novo desabamento, agravando a já delicada situação do imóvel. A estrutura metálica instalada pela Prefeitura em 2009, criada para proteger o prédio enquanto se aguardava decisão judicial sobre sua preservação, cedeu e caiu diretamente sobre a construção, que já apresentava forte deterioração.
O caso volta a expor um histórico de abandono. O palacete está no centro de uma Ação Civil Pública aberta em 2006, com o objetivo de garantir medidas de conservação. Mesmo assim, o imóvel continuou sofrendo danos ao longo dos anos, apesar da cobertura metálica instalada há 16 anos. Moradores relatam que a estrutura apresentava sinais de corrosão e desgaste há muito tempo.
Após o novo colapso, a advogada Alexandra Moreira apresentou petição à Justiça comunicando o desabamento e informando também o falecimento do réu da ação, então proprietário do imóvel. No documento, ela reforçou que o episódio demonstra um abandono prolongado e a ausência de ações efetivas que assegurassem a integridade do patrimônio, pedindo que o juízo seja notificado formalmente sobre o óbito, o que pode gerar desdobramentos como habilitação de herdeiros ou responsabilização de novos representantes legais.
Com o desabamento, parte da estrutura metálica atingiu diretamente o núcleo principal do palacete, aumentando os danos e elevando os riscos de novos colapsos. Técnicos e órgãos de fiscalização devem ser acionados para avaliar a gravidade da situação.
O Palacete de Mandiquera é um marco da história rural da região e, apesar de resistir ao tempo, se tornou símbolo de um problema recorrente: a falta de políticas contínuas de preservação e a demora em soluções efetivas para patrimônios culturais. O novo desabamento reacende o debate sobre responsabilidade, conservação e o futuro de um imóvel que segue há quase duas décadas em disputa judicial, sem um plano de salvamento definitivo.



