Desde a última semana, pacientes do Hospital Público Municipal (HPM) vivem um cenário de caos: todos os exames de imagem estão parados após uma falha elétrica causada durante visita da empresa Enel. O problema teria danificado um quadro de energia da subestação, deixando equipamentos essenciais como o tomógrafo e o raio-X inoperantes.
Segundo relatos de funcionários, a manutenção do hospital se recusa a realizar os reparos, e até agora nenhuma solução foi apresentada. A versão divulgada é de que os aparelhos estariam com defeito – o que não seria verdade, segundo profissionais internos. A suspeita é de um sucateamento proposital para justificar mudanças na gestão da saúde.
No último dia 7 de julho, a Secretaria Municipal de Saúde de Macaé publicou três portarias (nº 168, 169 e 170) criando Comissões de Qualificação de Organizações Sociais (OSs) para selecionar entidades sem fins lucrativos interessadas em assumir a gestão de serviços hospitalares no município.
As chamadas OSs já são alvo de investigações em cidades vizinhas como Saquarema, Maricá, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Quissamã, Campos dos Goytacazes, Santa Maria Madalena e Cachoeiras de Macacu. Institutos como IABAS, IAGP, IBDAP, Prima Qualitá Saúde e Instituto dos Lagos Rio foram citados em apurações por má gestão, desvio de recursos, sobrepreço de serviços, duplicidade de notas e até cobrança por atendimentos não realizados.
Recentemente o município de Carapebus optou por este modelo de gestão e segundo relatos dos usuários dos serviços a gestão piorou e a saúde está colapsada, inclusive a OS já foi alvo de denúncias perante os órgãos de controle e o Ministério Publico.
A coincidência entre a paralisação dos exames e a pressa em habilitar novas OSs em Macaé levanta suspeitas de que a crise possa estar sendo usada como justificativa para terceirizar unidades hospitalares. Enquanto isso, pacientes seguem sem diagnóstico e tratamento, vivendo dias de incerteza e indignação diante do descaso com a saúde pública.



