A formação do caráter de qualquer ser humano se desenvolve durante a infância. E, pegando um gancho nesta premissa, o projeto “Árvore crianceira dá frutos a vida inteira” estreia neste domingo (13), às 16h, no Teatro Sesc, em Campos dos Goytacazes, com a contação de histórias voltada para o público infantil e adulto. Além de emocionar, fazer rir e reforçar a importância do respeito às subjetividades de cada criança, a ideia é revisitar memórias através da narração oral.
Saber de onde veio, quem é e qual direção seguir foi o ponto de partida para a criação deste trabalho. Tendo as crianças como protagonistas, a apresentação traz à tona narrativas que permeiam os primeiros anos de uma trajetória – embalada no afeto familiar e nos antepassados. “O intuito é provocar na plateia, a valorização e rememoração dessa época”, ressaltou a contadora de histórias, Júlia Soares.
Das brincadeiras de rua ao bolo de fubá na casa da vovó, por meio da ludicidade o espetáculo passeia por diversos acontecimentos que cercam o cenário infantil. Segundo a narradora, é preciso criar um movimento de elo de cada pessoa consigo mesma e uma ponte de aproximação com o outro, essenciais para uma existência e convivência sadias. “As histórias são companheiras generosas para a fase mais importante da vida de uma pessoa: a infância. Elas ajudam no desenvolvimento cognitivo, linguagem e na construção de inteligência emocional”, destaca.
O repertório é marcado por contos de tradição oral, sendo dois desses, de origem indígena. Já o nome do projeto foi motivado pela frase “Uma única certeza demora em mim: O que em nós já foi menino não envelhecerá nunca”, do escritor moçambicano Mia Couto, do poema “Declaração de bens”. O trecho faz alusão ao entusiasmo na vida de uma criança, acompanhando-a durante a fase adulta até o envelhecimento.
Júlia acredita que a narração de contos celebra a arte da troca entre as pessoas. “Encontramos pessoas que conhecemos, além de versões de nós mesmos dentro dos contos. Nesses momentos, temos a oportunidade de nos olharmos e partilharmos os nossos bens mais preciosos: Tempo e presença. Conto histórias para promover encontros em busca de harmonia e respeito entre os indivíduos”, pontuou.
De acordo com a narradora, os contos são como um colo que ajuda as crianças a enfrentarem os desafios do crescimento. “É comum pensarmos que elas são feitas apenas de alegria, porém, crianças também vivem dilemas, assim como os adultos, e muitas vezes não sabem como expressar isso. As histórias são espelhos respeitosos, nos quais essas se enxergam de forma simbólica. Ao ouvirem as narrativas, elas têm a oportunidade de se reconhecerem”, reforça.
Quebrando estereótipos, rompendo tabus e mitigando preconceitos através das palavras e próprias vivências, Júlia revela ainda que, o intuito, é transportar o público-alvo para um lugar mais leve. “Além de brincar, é fundamental que a criança explore e libere a imaginação em prol de mais criatividade. Diante da internet, onde existe uma recompensa rápida ao rolar a tela do celular ou computador em busca do próximo vídeo de 15 ou 30 segundos, a construção dessa persistência é necessária”, salientou.
E completa dizendo: “Esperamos que a plateia possa se divertir e, principalmente, olhar para a infância com mais acolhimento. Existe uma poesia em cada criança e que precisa ser expressada. Nosso desejo é que as crianças se sintam felizes por serem quem são e que suas existências sejam celebradas. Esperamos também que as pessoas brinquem com as histórias e participem das brincadeiras que fazem parte da apresentação”.



